Entre quarto, laços, pernas e abraços... Assim me peguei pensando nele.
“-Será paixão? Mas ando com o coração tão fechado... Não, não! Isso deve ser carência, armadilha da solidão.” – pensei.
Sempre me recuso a envolvimentos profundos, conformada com a dureza na qual trato meu coração.
Mas tenho pensado tanto nele. Por quê? O que ele tem de diferente pra destruir a “Escultura de Gelo” que eu estava adorando ser?
Tão distante e tão perto ao mesmo tempo.
Nos últimos dias venho me dando conta de como sou tão tola quanto todas as outras mulheres. Ora bolas, logo eu que sempre zombei de mulheres “suspirantes”! E para confirmar o quão “mulher suspirante” venho sendo, me peguei imaginando um encontro digno de filme (ou seria de novela mexicana?). Construa a cena comigo:
Um dia ensolarado, ele me esperando no local marcado. Sou a “mulher suspirante” de pernas bambas e frases gaguejadas, suando frio, me torturando por todo o caminho decidindo se vou direto ao seu encontro, ou finjo que não vi de imediato (Para não demonstrar desespero para vê-lo).
Chego ao local, naquele lindo dia ensolarado. Desço do ônibus, (Sim! Até pra sonhar tenho alma de pobre!) um vento sul – e amigo- me recebe. Desço com o cabelo esvoaçante, linda e charmosa, com cara de atriz francesa, com um belo e grande óculos escuro: Estou me sentindo uma Brigitte Bardot do interior fluminense!
Dou uma leve disfarçada, olho de um lado para o outro, fingindo que não o vi desde a janela do ônibus. Vou ao encontro dele com um sorriso tímido no rosto, nos olhamos profundamente nos olhos, e como num filme, sem perder tempo com palavras nos beijamos sem perceber, involuntariamente, instintivamente. Aquele beijo estilo “hollywoodiano” com direito a pegar na cintura, virar a mocinha e tascar-lhe o beijo.
E depois? FIM! Fico anestesiada imaginando a cena e me recuso a pensar no que de ruim possa acontecer. Não me permito estragar a fantasia.
Um filme de Hollywood ou uma novela mexicana? Está mais pra um episódio de dois adolescentes em Malhação.
Agora imagino que alguns tenham se perguntado “Pra que tanta riqueza de detalhes?”.
Para mostrar como a mais dura e fria das mulheres pode ser tornar a mais tola e idiota por causa de um belo sorriso sincero, um rosto de menino com jeito de homem, uma risada roubada em um dia de TPM.
Será isso paixão? Fogo de palha? Carência?
Não queria me apaixonar. Estou tanto tempo sem saber o que é estar apaixonada e estou fingindo tão bem que isso é o melhor. Por que estragar meu espetáculo e minha incrível performance? Para ser juntamente com ele protagonista de cenas bonitas de uma novela mexicana? Se eu não tivesse meu dom natural para o drama, acharia isso ridículo e fora de cogitação. Mas essa idéia me fascina!
Se eu me machucar?
Ah! De que vale viver a aventura que é a vida sem sair com alguns arranhões? Se for pra viver que seja intenso. Quero amar e ser amada, sentir e ser sentida, apertar e ser apertada, beijar e ser beijada. Hoje sinto a necessidade de me entregar.
Se posso sofrer?
É praticamente certo! Paixões não são eternas. Elas acabam ou transformam-se em amor.
Se tenho medo?
Por favor, minha gente. Aprendam de uma vez por todas, pois só direi uma vez:
Mais vale sofrer por uma paixão do que não ser capaz de senti-la!
Ass.: Uma Escultura Derretida

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