terça-feira, 9 de junho de 2015

Só assim Renasceu

E assim ela viveu.
Buscando amor sem saber, encontrando ciladas ao anoitecer
E assim ela viveu.
Descobriu dor em simples beijos e amor em seus desejos
E assim ela viveu.
Sem desistir do que queria, mesmo desconhecendo o que seria
E assim ela cresceu.
Viveu a dor de cada momento, enfrentou chuva,
tempestade 
tormento
para então enxergar 
que é mais fácil voar
quando se sabe usar o vento
E assim ela venceu.
As barreiras que a cercavam, 
as amarras que lhe seguravam
e evitavam que ela enfim encontrasse seu grande e verdadeiro amor...

E assim ela se conheceu.


domingo, 7 de dezembro de 2014

Quando vier a Primavera (Alberto Caeiro) - Reflexão

“Quando Vier a Primavera”

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é. 


(Poemas Inconjuntos, heterónimo de Fernando Pessoa)



Reflexão:



O poema “Quando vier a Primavera”, a meu ver, proporciona uma espécie de libertação no que diz respeito à morte e à continuidade do mundo após a nossa morte.
Continuidade esta poeticamente representada pela chegada da Primavera, estação que transmite justamente a sensação do renascer, do despertar da natureza breve e aparentemente adormecida. 
No poema se constata que “as flores florirão da mesma maneira E as árvores não serão menos verdes do que na Primavera passada”, e ainda assim, esta é uma razão de profunda alegria, pois livra-se do fardo que é o medo da morte, a partir da compreensão que a morte importância alguma tem, pois a importância não está no fim, sim na vida, no que se vive e como se viu a vida enquanto “vida”


Outro ponto que fortalece e ajuda nesta compreensão é a forma clara e direta em que diz “A realidade não precisa de mim”. Muitas vezes tememos a morte pelo medo do que ocorrerá a partir da nossa ausência irrevogável, como por exemplo, como será a continuidade da vida de pessoas que estavam fortemente interligadas a nossa. 
Ora, não há o que temer. “Porque tudo é real e tudo está certo”

Não no sentido de que o mundo estará no‘caminho do bem’, com todos seguindo a risca tutoriais de como “fazer o certo”
Mas sim porque o mundo funciona com ou sem a nossa presença.
O que é, é, o que não é, não é, quer queira ou não. 
Portanto, a nossa ausência no máximo modificará alguma pequena parte de um trajeto, mas o mundo jamais deixará de ser percorrido, explorado... vivido! 
Deixemos de lado então o fardo do medo, esqueçamos um pouco o fim para viver o trajeto que temos até tal. Afinal, como diz o poeta, 
“O que for, quando for, é que será o que é.”





Aline Santana

Desjejum

Após um jejum de praticamente dois anos e nove meses, venho alimentar minh'alma de palavras e reflexões através deste espaço. 
Conforme eu havia descrito na primeira postagem deste blog - Rótulos -, sou uma metamorfose ambulante. E nunca tive tanta certeza disso! Minha vida é absolutamente outra desde a última vez que efetuei login aqui. O email continua o mesmo, mas os meus cabelos... estão cada vez mais brancos e escassos. Infelicidade? Não!!! Obstáculos, amadurecimento, quedas, tropeços, sorrisos, noites em claro estudando... Mas nunca estive tão plena! 
Como eu disse, minha vida é outra. Através de uma das mudanças venho sendo 'forçada' a exercitar a escrita novamente. Mas sequer havia lembrado daqui, em compartilhar tais escritas neste espaço e quem sabe criar novas reflexões. Até precisar na faculdade de um texto sobre uma experiência. Foi quando lembrei daqui, e de uma postagem na qual retrato a experiência de me apaixonar. Utilizei tal postagem e compartilhei com um amigo que, segundo ele, se arrepiou - ele é suspeito, é amável demais -, e me deu a idéia de compartilhar meus textos da faculdade aqui também. Acho que é uma ótima idéia para ressuscitar este blog, e quem sabe me inspirar.
Começarei com minha reflexão a partir de um poema, que se chama "Quando vier a primavera", de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. Espero que gostem. 
Até breve!

Aline Santana 

terça-feira, 13 de março de 2012

Amar alguém...

Amar é reconhecer que você não existe só em você. 
É sentir-se vivo através de outra pessoa. 
É perceber que seu coração não bate apenas para manter-lhe vivo, mas que você que dá vida ao seu coração para que ele possa bater por alguém especial.
 
Um amor de verdade resiste ao tempo e a distância. 

Pois quem ama sabe que é preciso muito mais que um corpo para se fazer presente.
Quantas pessoas estão a sua volta e não moram no seu coração,  nos seus pensamentos?
Amar é perceber que pequenos gestos mantém um amor de pé e que simplesmente a existência da pessoa amada é suficiente para manter viva a chama desse amor.
Os beijos, os abraços, o cheiro, o calor... O momento a dois é a recompensa pela coragem de amar alguém verdadeiramente...

Como eu te amo.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Casamento de Amizade

Aceita? Aceita se casar comigo e ser minha fiel companheira até o fim de nossos dias?
Pois é, a meu ver, uma verdadeira amizade é como um casamento. Unimos laços, compartilhamos tristezas e alegrias; saúde e doença; pobreza e riqueza...
Mas diferente do casamento conjugal, só precisamos de nossos corações sinceros e abertos como testemunhas.
Partilha de bens? LÓGICO!
Mas nada de bens materiais. Quero e EXIJO que compartilhe comigo suas alegrias, seus fardos mais pesados, seus segredos mais secretos, suas loucuras mais insanas, seus surtos repentinos de realismo, seus sábios conselhos, suas valiosas críticas... Quero lugar reservado no seu coração!
Nossos filhos serão nossos momentos de riso fácil, nossas brigas dramáticas seguidas de reconciliações hilárias, nossas loucuras conscientes... Enfim. Tudo que nos une, na alegria e nas loucuras.
Mas já te deixo ciente: NÃO EXISTE SEPARAÇÃO!
Você sempre estará em cárcere privado no meu coração. Pode chamar a polícia. Pode chamar o Papa, até mesmo um exorcista pra se livrar do encosto aqui! SEMPRE serei sua “marida”.
Então, pense bem antes de aceitar esse pedido de “casamento”.
Mas se não aceitar, tudo bem. Fico feliz em continuar tendo minha amiga, minha fiel escudeira, minha irmã de coração, minha amada, minha cruz e minha espada, meu porto seguro, a 2ª voz do meu coração, meu 2° eu e que faz completar meu eu principal.
Quando precisar de ajuda, lembre-se de que no final do seu braço direito encontrará sempre SUA MÃO. Depois repare melhor e verá minha mão dada à sua para sempre te reerguer quando for preciso.
Te amo hoje e sempre! Feliz Aniversário, meu Toddynho de chocolate branco. 

(Dedicado a Flávia Scáfura)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

"Escultura de Gelo"

Entre quarto, laços, pernas e abraços... Assim me peguei pensando nele.
“-Será paixão? Mas ando com o coração tão fechado... Não, não! Isso deve ser carência, armadilha da solidão.” – pensei.
Sempre me recuso a envolvimentos profundos, conformada com a dureza na qual trato meu coração.
Mas tenho pensado tanto nele. Por quê? O que ele tem de diferente pra destruir a “Escultura de Gelo” que eu estava adorando ser?
Tão distante e tão perto ao mesmo tempo.
Nos últimos dias venho me dando conta de como sou tão tola quanto todas as outras mulheres. Ora bolas, logo eu que sempre zombei de mulheres “suspirantes”! E para confirmar o quão “mulher suspirante” venho sendo, me peguei imaginando um encontro digno de filme (ou seria de novela mexicana?). Construa a cena comigo:
Um dia ensolarado, ele me esperando no local marcado. Sou a “mulher suspirante” de pernas bambas e frases gaguejadas, suando frio, me torturando por todo o caminho decidindo se vou direto ao seu encontro, ou finjo que não vi de imediato (Para não demonstrar desespero para vê-lo).
Chego ao local, naquele lindo dia ensolarado. Desço do ônibus, (Sim! Até pra sonhar tenho alma de pobre!) um vento sul – e amigo- me recebe. Desço com o cabelo esvoaçante, linda e charmosa, com cara de atriz francesa, com um belo e grande óculos escuro: Estou me sentindo uma Brigitte Bardot do interior fluminense!
Dou uma leve disfarçada, olho de um lado para o outro, fingindo que não o vi desde a janela do ônibus. Vou ao encontro dele com um sorriso tímido no rosto, nos olhamos profundamente nos olhos, e como num filme, sem perder tempo com palavras nos beijamos sem perceber, involuntariamente, instintivamente. Aquele beijo estilo “hollywoodiano” com direito a pegar na cintura, virar a mocinha e tascar-lhe o beijo.
E depois? FIM! Fico anestesiada imaginando a cena e me recuso a pensar no que de ruim possa acontecer. Não me permito estragar a fantasia.
Um filme de Hollywood ou uma novela mexicana? Está mais pra um episódio de dois adolescentes em Malhação.
Agora imagino que alguns tenham se perguntado “Pra que tanta riqueza de detalhes?”.
Para mostrar como a mais dura e fria das mulheres pode ser tornar a mais tola e idiota por causa de um belo sorriso sincero, um rosto de menino com jeito de homem, uma risada roubada em um dia de TPM.
Será isso paixão? Fogo de palha? Carência?
Não queria me apaixonar. Estou tanto tempo sem saber o que é estar apaixonada e estou fingindo tão bem que isso é o melhor. Por que estragar meu espetáculo e minha incrível performance? Para ser juntamente com ele protagonista de cenas bonitas de uma novela mexicana? Se eu não tivesse meu dom natural para o drama, acharia isso ridículo e fora de cogitação. Mas essa idéia me fascina!
Se eu me machucar?
Ah! De que vale viver a aventura que é a vida sem sair com alguns arranhões? Se for pra viver que seja intenso. Quero amar e ser amada, sentir e ser sentida, apertar e ser apertada, beijar e ser beijada. Hoje sinto a necessidade de me entregar.
Se posso sofrer?
É praticamente certo! Paixões não são eternas. Elas acabam ou transformam-se em amor.
Se tenho medo?
Por favor, minha gente. Aprendam de uma vez por todas, pois só direi uma vez:
Mais vale sofrer por uma paixão do que não ser capaz de senti-la!

Ass.: Uma Escultura Derretida






sábado, 10 de setembro de 2011

Rótulos


Após um longo período de encorajamento, decidi criar um blog. No auge da empolgação da criação recebo um telefonema. Compartilho a idéia com um amigo e ele me pergunta: 
“-Mas do que exatamente você tratará no blog? Vai escrever crônica?”.
Parei, pensei e respondi: “Não sei. Escrevo sobre tantas coisas, me expresso de tantas formas.”.
A partir dessa ligação começou a despertar-me algumas constatações sobre como exigimos exatidão e perfeição demais de nós mesmos. A sociedade cobra um autoconhecimento preciso. E diversas vezes, imperceptivelmente, nos permitimos ser influenciados por essa pressão e começamos uma autopesquisa em busca de respostas que nós não sabemos e nem queremos ou precisamos saber.
“Quem sou eu?” Minha cor preferida é azul “ponto”. Gosto de jazz “ponto”. Prefiro jantar romântico a motel “ponto”. Ora bolas, como me rotular em dizer que sou isso ou aquilo? Pra que me rotular? Posso no maximo dizer “Nesse momento estou assim e assado”. Amanhã não sei. Hoje quero deixar fluir meu lado mulher culta e elegante, ouvir um bom jazz, tomando um bom vinho na frente de uma lareira, depois de um longo papo inteligente. Mas amanhã estou firme na roda de samba, com minha cerveja estupidamente gelada, me fartando de rir com as amigas das coisas mais idiotas.
Que tal trocar alguns “pontos finais” por “vírgulas” e se permitir experimentar novas sensações e emoções? Que coisa mais sem graça viver num mundinho programado!
Viva as adversidades, viva a espontaneidade.O máximo que pode acontecer é você não gostar e partir para outra nova experiência.
Diante disso, aviso a você, caro leitor, que esse blog será exatamente como eu. Quem sou eu? Sou tantas que me recuso ao egoísmo de escolher uma só.
Aqui vocês verão reflexões sobre toda forma de amor, paixão, decepção, sofrimento, alegria e superação, a princípio. Mas ora ou outra verão um desabafo de uma mulher apaixonada, a dureza de uma mulher fria e realista, momentos e personagens que crio para sonhar acordada.
Aqui verão minhas fases e frases. Mas estejam certos que em tudo verão um coração sincero a assinar.
Espero que gostem.